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O Fahrenheit de Truffaut !
Um dos filmes mais incríveis que assisti de Truffaut certamente foi Fahrenheit 451. Nesse filme, o cineasta nos conduz até uma cidade futurista, onde a principal lei vigente determina que o ATO de LER produz a infelicidade, é perigoso, subverssivo e, portanto todos os livros devem ser queimados e todas as bibliotecas fechadas. O título do filme se refere à temperatura utilizada pelos "bombeiros" durante a incineração das obras. Nesse universo imaginário, essas personagens são uma espécie de agentes censores que têm por principal função reprimir o hábito da leitura.
Montag, a personagem principal, é um bombeiro, que numa de suas rotineiras viagens para casa, sente-se atraido por uma misteriosa mulher que o interroga dizendo : Você já leu alguns dos livros que queimou ? A partir desse encontro e instigado por essa indagação, Montag principia uma nova fase : torna-se um leitor compulsivo e passa a se angustiar diante de sua profissão e da entediante vida que leva ao lado da esposa. Um detalhe interessante desse filme é que Truffaut cria uma antítese ( oposição ) entre as personagens femininas da narrativa, ou seja, a mulher que aborda Montag na viagem de trem é professora e o atrai por sua cultura, vivacidade e espírito livre. Já a esposa de Montag representa a completa passividade e acomodação, afinal toda a vida da mesma parece girar em torno dos afazeres domésticos e dos programas de TV. O cineasta selecionou apenas uma atriz para encenar os dois papéis, esse recurso cinematográfico, na minha opinião, intensifica ainda mais a oposta relação existente entre as duas personagens. É importante ressaltar também que esse filme foi produzido em 1966 e a apresentação crítica de tais arquétipos femininos demonstra o quão vanguardista era o pensamento desse cineasta.
Bem, em meio a todo esse conflito surgem os grupos revolucionários que lutam pelo direito de LER, os quais em sua atitude de rebeldia, juntam-se no esforço de DECORAR o maior número possível de obras, a fim de preservá-las e transmití-las para as futuras gerações. Há uma cena muito emocionante, na qual um homem idoso prestes a morrer recita para o neto todos os capítulos de um livro. Pessoal, o filme é muito bacana e, posso garantir, repleto de metáforas que abrem espaço para muita reflexão.
Sim, o documentário de Michael Moore recebe o mesmo nome. E, segundo esse documentarista, a escolha do título se deve ao fato de que, assim como no universo imaginário de Truffaut, a imprensa norte-americana utilizou-se do poder midiático de censura e privou toda a opinião pública de muitas informações sobre a verdadeira intenção do atual presidente ao lançar este país no conflito contra o Iraque. Aliás, de acordo com o que pude notar, parte considerável da imprensa daqui parece pender para o lado dos republicanos. A propósito, isso em si já explicaria a atitude omissa de muitos jornalistas e emissoras de TV, como a FOX e a CNN.
Voltando ao Fahrenheit de Truffaut : Esqueci-me de dizer que dentre os revolucionários, havia alguns que de tanto se dedicarem à tarefa de decorar uma determinada obra literária, acabavam por assumí-la como parte de seu SER. Em outras palavras, passavam a acreditar na idéia de terem se transformado no livro que liam. Tremenda viagem do Truffaut, né ? 
E você, se fosse encarregado de tal incumbência, em que livro se transformaria ?
Eu , atualmente, adoraria me transformar no Paixão segundo G.H. da maravilhosa Clarice Lispector ou no livro Primeiras estórias de Guimarães Rosa. Estou curiosa pra saber em que livro vocês se trasnformariam, não deixem de responder a pergunta, certo ? 
Pessoal, meu tempo anda tão curto por aqui, estou numa correria tremenda, mas muito em breve pretendo responder a todos os comentários do post passado e visitar o blog de todos vocês, queridos amigos e amigas. Aliás, gostaria de agradecer a visita de todos que, na minha ausência, estiverem nesse espaço virtual. VALEU !
Escrito por Laura Beatriz às 16h06
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