Histórico
 26/12/2004 a 01/01/2005
 19/12/2004 a 25/12/2004
 12/12/2004 a 18/12/2004
 05/12/2004 a 11/12/2004
 28/11/2004 a 04/12/2004
 21/11/2004 a 27/11/2004
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 19/09/2004 a 25/09/2004


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 O mundo é pequeno - Blogs brasileiros espalhados pelo mundo.
 Criamos um fotoblog !!!
 Notícias do mundo de cá.
 As reflexões de Dapirueba !
 Poesia SIM - Blog do poeta Lau Siqueira.
 Astroblognetuniano.
 Monolito de Portugal !
  Micróbio de Portugal.
 Ele ama...Tudo bem !
 EraOdito
 Ronaldo de Berlim.
 Psicotópicos
 Filmes de terror.
 Fragmento - Poesia.
 Silepse.
 Poesias do antes fosse agora.
 O mundo de Lawrent
 O RADAR
 Vanessa do Peru !
 Porcas e Parafusos - Blog da Carissa
 Regina da Itália !
 Pink Freud - Dra Loreleine Botelho !
 SR. ON-LINE !
 Arquivo da Rosa.
 Rinogas - Ele odeia o senso-comum.
 Laerte - Cartunista.
 RPG - Guerreiros do Hollocausto.
 Brothers da rua.
 A PRAÇA - Cuspir conversa...
 Cala a boca ja morreu !
 Calatemundo !
 Cantinho de Minas
 Personas
 Pensamentos e divagações
 Tudo vira bosta.
 Psicólogo neurótico
 Miscelâneas
 Luciana Hermenegildo.
 Programa Contramão.
 Leseira Geral
 Idéias - Blog da Mariela !
  Noites brancas !



O que é isto?
Terra à vista - O Imigrante é um forte !
 

Minha receita para 2005 - Drummond e PAZ !

Amigos, muito obrigada por sua companhia em 2004. Quanta gente inteligente e criativa passou por este simplório bloguinho e quantas discussões instigantes travamos, como eu sempre digo, um viva à Dialética ! 

Ah !  Não posso perder a oportunidade de apresentar um poema de Drummond. Vocês já devem conhecer o poema Receita de Ano Novo. Mas, de qualquer forma, vale sentí-lo novamente.

Ambigüidade proposital a partir do verbo sentir, portanto sinta a Drummond e ao poema.

Receita de Ano Novo 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

"A PAZ INVADIU O MEU CORAÇÃO..."

A foto abaixo é tão clichê, mas, enfim... PAZ é o meu pedido para o próximo ano. Putz ! Essa frase também é absolutamente clichê. Eu sei.

Mas, gostaria de ressaltar que me refiro à Paz do micro ao macrouniverso humano. No microuniverso, esse sentimento, essa utopia, como queiram, assenta - se na formação de idéias e valores mais humanitários e desprendidos de tanto egocentrismo. 

Muito utópicos os anseios e desejos dessa egocêntrica em fase de recuperação ?

 

 
        Feliz 2005 e Boas festas !!!

 

 

 

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 12h13 [] [envie esta mensagem]



Citacionismo - Parte 2

 

O querido amigo e mestre de RPG, Rick, por esses dias escreveu um capítulo da história Guerreiros do Hollocausto, o Mistérios, no qual ele falava sobre a imortalidade da alma. Naquele mesmo instante, pensei na obra intitulada EYE do grande artista Escher.  Rick, querido, conforme eu havia prometido, aí está a obra de que lhe falei.

Amigos, desculpem-me pela morbidez, mas devo admitir que a própria idéia de FIM do ano me impulsiona a refletir sobre a finitude de tudo e de todos. Sim, eu sei o quanto isso é tétrico !

 

Algumas observações :

Para ir ao blog do Rick, clique ao lado em RPG - Guerreiros do Hollocausto.

Para conferir outros trabalhos de Escher, se é que você não o conhece, vá ao site Enigmas on line, aí vai o endereço : http://enigmasonline.com/htm/escher3.htm

 

Para finalizar este post :

Se aprofundarmos o nosso olhar, perceberemos que a própria Ceia Natalina traz consigo um ato de vida e de morte. A escritora Clarice Lispector escreveu um texto muito imteressante sobre o assunto.

Uma Galinha


Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

( Clarisse Lispector - Laços de Família - Edirora Rocco - p. 30 - Rio de Janeiro )

 

 



 Escrito por Laura Beatriz às 01h36 [] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]


 
online